Quem perdoou foi o primeiro perdoado
Quem partiu deixando saudades está presente mesmo ausente
Quem sentiu-se solitário foi incapaz de ver em si o universo
Quem se enraizou nas suas convicções tornou-se cromo e mono
Quem imergiu da miséria e fez escravos é mais pobre que d'antes
Quem não tem ouvidos para a poesia e nem olhos para a lua é cego, surdo e mudo
Quem admira o outro só pelo dinheiro, diplomas e viagens que coleciona inveja-o; não é admiração, é doença
Quem admira o que nada tem, conserva a essência de criança
Quem vence é quem palpita o coração do bem
Quem viveu pleno é quem acendeu uma fogueira, afagou um cão, plantou uma árvore
Quem sabe nunca esquece o que são as mãos e os pés na terra
Quem se sustentou plantando e colhendo é o mais digno
Quem foi criança e não o fez está em tempo: nadar no córrego, ouvir o canto dos pássaros livres, o farfalhar das árvores...
Quem vive em fartura é quem se desapegou das posses e dividiu mais do que somou
Quem merece aplauso é quem dignifica sua sina e vive da sua arte
Quem canta e poetiza é a verdadeira autoridade
Quem se vê grande precisa da ajuda dos pequenos a quem pertencem todas as belezas do mundo
Quem perdeu mais é quem não sente mais os cheiros, os sabores e os sons que os sonhos têm
Júlio Olivar

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