sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Preguiça III

Por que a preguiça é um problema? A preguiça é problemática porque a sociedade a caracteriza assim. Segundo Anastasia Burge, pesquisadora e professora de filosofia da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, no passado, as atitudes preguiçosos eram punidas severamente. Na União Soviética, por exemplo, as pessoas podiam ser processadas por “parasitismo social”. A especialista conta que o poeta Joseph Brodsky foi julgado e questionado: “O que você está fazendo? Qual é seu trabalho? Qual é sua profissão?”. Ao responder que era poeta, carreira que juízes não conseguiam compreender, ele foi enviado para um campo de trabalho forçado. Mas conseguiu fugir. No mundo moderno, em que as pessoas são cobradas para estarem sempre buscando melhorar, ser mais rápidas e eficientes para estar à frente na competitividade do mercado de trabalho, a preguiça não é uma característica benéfica. “(A preguiça) é moralmente errada. Fui doutrinado a acreditar que você precisa estar fazendo algo, constantemente. Tanto pelos meus pais quanto pela sociedade como um todo. Você precisar estar o tempo todo sendo produtivo, conquistar coisas”, contou um homem à Catherine Carr, repórter da rádio BBC. Mas as novas gerações enxergam o “fazer nada” como um momento de autocuidado que ajuda o corpo e a mente. “Nossa geração está cuidando de si mesma. Nós não conseguimos pagar nossa hipoteca mesmo depois de sessenta anos de trabalho. Então percebemos que trabalhar até morrer não é um estilo de vida que dá para manter”, comentou Lucy. Para ela, essa tendência deve aumentar entre as pessoas mais jovens. “É cada vez mais comum escolher um estilo de vida que seja sustentável pela vida toda. É autocuidado e consciência sobre nosso corpo e nossa mente. Isso inclui tirar um tempo para si”, concluiu.

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