sexta-feira, 6 de setembro de 2019
Separação
SEPARAÇÃO
A separação é algo muito triste, quando dizemos que a sua dor se compara ao luto não exageramos. Ela não separa só o casal, os filhos, a família em si, mas parte o indivíduo em muitos pedaços e passamos a sentir as dores dessa divisão física, psicológica e espiritual.
Separar é desistir de coisas, de planos, de sonhos. É abrir mão daquilo que lutamos por tantos anos para conseguir, é descobrir que os nossos alicerces estavam fundamentados em algo artificial, quase inexistentes. Na verdade as coisas não são bem assim, mas o olhar de quem se separa é assim.
A ex nos soa tão estranho, ela já não é mais aquela pessoa que dormia ao nosso lado ou é e só percebemos agora com a distância.
Somos violentados todos os dias pela pessoa que deveria nos amar mais que tudo, nós mesmos.
Nos cobramos todos os momentos coisas absurdas, sorria mais, seja mais cortez, seja gentil e delicado, quando o nosso desejo sincero é matar ou morrer.
Tudo dói, acordar dói, olhar para os filhos dói, pensar na ex dói, os finais de semana dói...
Separar é um recomeço e recomeçar dói muito. É como um salto para o inexistente, o vazio. Achar o chão da nossa vida individual é complicado e quando o achamos inicia-se um novo processo: o de se buscar.
Quem sou eu? Antes marido, pai, amante, amigo, companheiro, protetor... E agora? Nos sentimos um nada e por incrível que pareça, sentimos muito, e nos perdemos nesse mar de sentimentos confusos.
A separação não faz distinção de pessoas, ela dói em todos os corações, desde o barraco até as mansões, ela é fiel e democrática quando o assunto é dividir as dores e ter a sensação de queda livre.
Eu encontrei o fim dessa queda, sinto que cheguei aqui me arrastando, todo quebrado, mas com um desejo enorme de recomeçar.
Demorei a entender que o fim de um ciclo não é o fim de uma vida, mas precisei desse tempo. Não adiantavam algumas pessoas ficarem me dizendo como eu deveria me portar ou sentir, a dor foi necessária, o sentir foi fundamental para alcançar a linha de chegada ou seria a linha de partida?
Realmente, separação é um momento de grande transição. É onde todos os problemas vem a tona e temos por obrigação olha-los de frente e resolve-los. É um momento de refino, onde separamos o pior e o melhor de nós mesmos, é o instante de nos encarar com seriedade e pensar sinceramente se gostamos daquilo que vemos.
Mas já aviso, cuidado!
Depois de tantos atropelos, de tanto choro, de tantas dores, de perguntas sem respostas você não morre, só corre o sério risco de sair dessa situação outra pessoa, mais forte, mais pleno, mais corajoso e mais feliz.
Gilberto Lopes
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