terça-feira, 18 de setembro de 2018

Pulando...

Eu , o App e a tentativa de suicídio.

O App toca pela 8 vez naquele dia. Aparentemente e só mais uma segunda feira e la vou eu buscar a Camila.
Camila e uma daquelas passageiras que da gosto conversar. Jovem, cheia de amor pelo seu namorado e esbanjando vida. Mal sabia ela que caminhávamos em direção a morte , senao a morte da vida, a morte da empatia.

Saímos do nosso endereço inicial e em 3 minutos ja estávamos na terceira ponte ( principal ponte de ligação entre vila velha/ Vitória ), andamos por volta de 1km e encontramos uma interdição.

Depois de uns 3 minutos parado, peço licença a Camila para sair do carro e verificar o que houve.

Logo a minha frente vejo um jovem senhor , pendurado na ponte tentando suicídio. Apenas 10 carros a minha frente. Uns 200 metros me separam daquele homem, além de uma viatura da pm e umas 20 pessoas fora dos carros.

A sensação e de desespero, medo e algumas outras indescritíveis ao ver a cena. Ainda meio chocado com tudo , vejo chegando os bombeiros que de maneira eficiente isolam o local e iniciam a " negociação" com o homem.

São exatamente 15:30h  e a fila de carros e pessoas começam a aumentar e a cena que ja era lamentável se torna desumana, quase indescritível.

Após uns 40 minutos de espera , as pessoas ja começam a fazer amizades, as lives, postagens e piadas começam ja tomar conta do ambiente.

E estranho, um homem tenta tirar a vida e em volta uma social esta montada.

Não ha silêncio , empatia ou preces. Ouço buzina. Sim, alguém buzina em protesto pela demora e logo e contido.

Contudo, sociólogos e psicologos , poderao discorrer sobre. A buzina foi a senha, a forca motriz, a faísca que faltavam para o caos começar.

O que vem a seguir e so um resumo, apenas partes de um show de horrores que vivi por mais de 5 horas, visto a ponte ter sido interditada.

Após a buzina , a primeira piada direcionada ao suicida foi feita :

"Pula, vai que boi tenha asas..." , o piadista desalmado encontrou platéia e começou a destilar ódio.

Ha um dito bíblico que um abismo, chama outro abismo. Aquele homem a beira do precipício ouvia gritos abismados de cadáveres humanos :

- " se quiser eu te empurro"
- "pula daí , macaco"
- "ah, se eu tivesse uma arma, eu mandava um tiro daqui mesmo"
- "dor de corno"
- isso e falta de sexo"
-" chama o Bolsonaro" (fazendo sinal de arma em direção ao homem"
- se mata , mas nao ferra minha vida "

Tudo isso, não foi dito na surdina ou baixinho. Tudo foi gritado em alto e bom som , sendo eventualmente um ou outro advertido pela polícia.

Eu fui andando pela ponte, queria ouvir as fala, ver as reações, nao acreditava no que via.

Andando um senhor me fala: " fortão, vai la e empurra ele logo, porra"

Passei direto e fui para uma das várias rodinhas feitas. Eram dezenas delas afinal nao tinha nada a ser feito a nao ser esperar , estávamos presos ali.

Ah, a Camila preferiu ficar dentro do carro a maior parte do tempo, ela disse nao ter estrutura para as falas alheias.

Numa rodinha o assunto era política, na outra futebol, na terceira o dono da BMW diz : " gente, ta na cara que e um morador de rua ,  da um tiro no pe dele se ele cair para frente ta salvo, para trás ,morreu , menos um bandido no mundo ".

O jovem senhor , por ser negro e aparentemente mal arrumado ja tinha sido sentenciado.

Nao vou me estender aos comentários que ouvi, foram dezenas de aberrações, juro que algumas sequer tenho coragem de contar aqui.

Uma me acalmou. Passaram 2 cobradores e disseram : " bora furar o cerco e empurrar ele ? " , falaram se dirigindo a outro senhor que respondeu:

"Não, eu prefero orar " . Minha esperança se renovou. Nao pelo âmbito da fé propriamente, mas pela empatia da afirmação.

As horas foram passando as 20h , ja tínhamos um circo de horror montado.

Um homem preso por furar o cerco, Polícia tendo que lancar bomba de gas para conter a multidão e dezenas de pessoas em coro batendo na lataria do ônibus e gritando :

"Pula, pula, pula " . Indescritível !

E laEu , o App e a tentativa de suicídio.

O App toca pela 8 vez naquele dia. Aparentemente e só mais uma segunda feira e la vou eu buscar a Camila.
Camila e uma daquelas passageiras que da gosto conversar. Jovem, cheia de amor pelo seu namorado e esbanjando vida. Mal sabia ela que caminhávamos em direção a morte , senao a morte da vida, a morte da empatia.

Saímos do nosso endereço inicial e em 3 minutos ja estávamos na terceira ponte ( principal ponte de ligação entre vila velha/ Vitória ), andamos por volta de 1km e encontramos uma interdição.

Depois de uns 3 minutos parado, peço licença a Camila para sair do carro e verificar o que houve.

Logo a minha frente vejo um jovem senhor , pendurado na ponte tentando suicídio. Apenas 10 carros a minha frente. Uns 200 metros me separam daquele homem, além de uma viatura da pm e umas 20 pessoas fora dos carros.

A sensação e de desespero, medo e algumas outras indescritíveis ao ver a cena. Ainda meio chocado com tudo , vejo chegando os bombeiros que de maneira eficiente isolam o local e iniciam a " negociação" com o homem.

São exatamente 15:30h  e a fila de carros e pessoas começam a aumentar e a cena que ja era lamentável se torna desumana, quase indescritível.

Após uns 40 minutos de espera , as pessoas ja começam a fazer amizades, as lives, postagens e piadas começam ja tomar conta do ambiente.

E estranho, um homem tenta tirar a vida e em volta uma social esta montada.

Não ha silêncio , empatia ou preces. Ouço buzina. Sim, alguém buzina em protesto pela demora e logo e contido.

Contudo, sociólogos e psicologos , poderao discorrer sobre. A buzina foi a senha, a forca motriz, a faísca que faltavam para o caos começar.

O que vem a seguir e so um resumo, apenas partes de um show de horrores que vivi por mais de 5 horas, visto a ponte ter sido interditada.

Após a buzina , a primeira piada direcionada ao suicida foi feita :

"Pula, vai que boi tenha asas..." , o piadista desalmado encontrou platéia e começou a destilar ódio.

Ha um dito bíblico que um abismo, chama outro abismo. Aquele homem a beira do precipício ouvia gritos abismados de cadáveres humanos :

- " se quiser eu te empurro"
- "pula daí , macaco"
- "ah, se eu tivesse uma arma, eu mandava um tiro daqui mesmo"
- "dor de corno"
- isso e falta de sexo"
-" chama o Bolsonaro" (fazendo sinal de arma em direção ao homem"
- se mata , mas nao ferra minha vida "

Tudo isso, não foi dito na surdina ou baixinho. Tudo foi gritado em alto e bom som , sendo eventualmente um ou outro advertido pela polícia.

Eu fui andando pela ponte, queria ouvir as fala, ver as reações, nao acreditava no que via.

Andando um senhor me fala: " fortão, vai la e empurra ele logo, porra"

Passei direto e fui para uma das várias rodinhas feitas. Eram dezenas delas afinal nao tinha nada a ser feito a nao ser esperar , estávamos presos ali.

Ah, a Camila preferiu ficar dentro do carro a maior parte do tempo, ela disse nao ter estrutura

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